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Em entrevista ao Migalhas, toda a verdade sobre o amianto

O importante site jurídico Migalhas (www.migalhas.com.br) traz uma esclarecedora entrevista com a presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), Marina Júlia de Aquino, comentando os recentes ataques do lobby contra o amianto no Brasil. Na entrevista, Marina diz que o segmento da produção de fibrocimento com amianto está otimista com relação a um posicionamento futuro do Supremo Tribunal Federal (STF) pela inconstitucionalidade das leis estaduais que visam proibir o uso do mineral. “O uso seguro do amianto crisotila no Brasil é referência em saúde do trabalhador e é um exemplo de uso responsável de materiais de risco na mineração e na indústria”, afirmou Marina na entrevista, cuja íntegra pode ser acessada no link abaixo. Vale a pena conferir!

Os comerciantes do Paraná diante do lobby contra o amianto

Artigo de Rubens Rela Filho, diretor-geral da SAMA Minerações e membro do Conselho Superior do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), publicado nesta quarta-feira (18/02) no site Folha Web, do jornal Folha de Londrina (PR), chama a atenção para o grande desafio a ser enfrentado este ano no Paraná, em razão do poderoso lobby contra a comercialização de produtos com amianto no Estado. No artigo, Rela reconhece que “é preciso ter coragem para enfrentar as mentiras sobre o amianto”, ao mesmo tempo em que manifesta otimismo com relação ao posicionamento que o Supremo Tribunal Federal (STF) terá em breve, admitindo a inconstitucionalidade das leis estaduais de proibição do produto.

Leia, abaixo, o artigo na íntegra:

A verdade sobre o amianto

O mercado da construção civil deve passar, este ano, por uma prova de fogo no Paraná. Os comerciantes terão a difícil missão de decidir se mantêm ou não a venda de telhas e caixas d´água com o amianto. É preciso ter coragem para enfrentar as mentiras sobre o amianto por dois motivos. Primeiro: concorrentes dos fabricantes de telhas e caixas d´água, com amianto, conseguiram convencer uma parte da imprensa que a simples existência da fibra natural causa câncer, o que é uma ficção. Segundo: há uma lei municipal em Curitiba, que passa a valer somente no fim deste ano, proibindo a venda de produtos com amianto. A lei, no entanto, deve ser questionada no Supremo Tribunal Federal com grandes chances de ser derrubada.

Atualmente, as leis estaduais que proíbem o uso do amianto são questionadas no STF. Dois votos já foram proferidos. Em seu voto, o ministro Marco Aurélio anotou que "se o amianto deve ser proibido em virtude dos riscos que gera à coletividade ante o uso indevido, talvez tenhamos de vedar, com maior razão, as facas afiadas, as armas de fogo, os veículos automotores, tudo que, fora do uso normal, é capaz de trazer danos às pessoas".

No passado, existiu um outro tipo de amianto: o anfibólio. Trabalhadores que passaram muitos anos em contato com este tipo de amianto, sem os cuidados existentes hoje, contraíram doenças. Mas agora os tempos são outros. O anfibólio foi banido no mundo inteiro. Trabalhadores que entraram nas minas e fábricas, a partir de 1980, não tiveram qualquer tipo de alteração na saúde relacionada ao amianto. Hoje o amianto usado no Brasil é o crisotila. Ele é permitido em mais de 150 países e não oferece riscos à saúde de trabalhadores, de quem comercializa ou de quem usa telhas com a fibra.

O uso de amianto no Brasil é regulado pela Lei Federal nº 9.055, de 1995. O país é referência no mundo por suas regras rigorosas sobre o uso seguro do amianto. Mais de 50% das casas brasileiras são cobertas com telhas dessa fibra natural. Milhões de pessoas viveram e vivem décadas em residências cujas telhas e caixas d’água são de amianto. Não existe um único caso de usuário que tenha contraído qualquer doença por isso. Mas concorrentes usam dados de forma manipulada para tentar tirar o amianto do mercado e substituí-lo por outra fibra mais cara, menos resistente, que polui o meio ambiente e que não traz vantagem alguma para os comerciantes.

Há comprovações científicas de que o amianto crisotila é considerado seguro dentro dos rígidos controles da indústria brasileira. Mas um dos truques nessa disputa comercial consiste em comparar casos em que se usava nas minas e fábricas o amianto do tipo anfibólio - hoje não mais existente no mercado. Querem suspender uma atividade empresarial lícita com base em suposições sobre possíveis riscos. Se fosse válido o raciocínio, poderia se cogitar também o fim da extração de carvão em minas ou da produção de cimento com essas premissas.

O amianto, como é utilizado hoje no Brasil, não oferece riscos para a saúde de trabalhadores e da população em geral. Além disso, é importante lembrar que a cadeia produtiva do amianto movimenta R$ 3,7 bilhões por ano. Mais de 170 mil trabalhadores vivem dessa atividade. Mais de 90% do consumo nacional do amianto ocorre na indústria de fibrocimento, que é responsável pela fabricação de telhas utilizadas na construção civil.

A ideia de concorrentes dos fabricantes de amianto é incentivar a cultura do medo, com base em interesses meramente mercadológicos. A posição que os empresários do Paraná terão de adotar não será nada fácil. É preciso ter coragem porque foram criados mitos em torno da fibra natural para bani-la do mercado. Aceitar truques como esse, no entanto, significa legitimar práticas desleais de concorrência que prejudicam comerciantes e consumidores. 

Para atacar amianto, TV troca o verdadeiro pelo falso

Com o título “Fim de produtos de amianto evita doenças e mortes”, a TV da Assembleia Legislativa de Minas Gerais apresentou, no último dia 9, uma daquelas reportagens que parecem ter sido feitas sob encomenda para atender aos adversários do amianto crisotila no Brasil.

Com uma série de informações erradas e demonstrando desconhecimento do assunto, a reportagem nem sequer levou em conta os dados que a equipe de comunicação do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC) repassou no momento em que foi consultada a respeito.

A reportagem, disseram os produtores da emissora, seria para lembrar a lei estadual que estabeleceu a proibição do uso do produto a partir de 2023. Seriam ouvidos os “dois lados” da questão. Mas não foi o que acabou ocorrendo, o que é lamentável.

Nem mesmo as informações de mercado chegaram a ser usadas, como, por exemplo, o fato de Minas registrar um número de 10 mil pontos de vendas de produtos de fibrocimento com amianto crisotila, de um total de 17 mil estabelecimentos de material de construção. E que a expectativa no Estado é de uma decisão favorável ao uso seguro do amianto, pelo Supremo Tribunal Federal, tornando sem efeito as leis estaduais.

Infelizmente, o “outro lado”, peça fundamental no trabalho de uma imprensa que se pretende imparcial e comprometida com a verdade, foi ignorado.

Segue, abaixo, o teor da correspondência enviada pelo IBC à produção da TV Assembleia de MG antes mesmo que a reportagem fosse veiculada.

Prezado jornalista,

A respeito de reportagem preparada por esta emissora tratando da lei que estabelece prazo de dez anos para proibição de produtos contendo amianto crisotila no Estado de Minas Gerais, o Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC) reitera que a matéria já é regulada por Lei Federal (Lei 9.055/95) e pelo menos sete Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) questionando leis estaduais de proibição do amianto tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Nada justifica, portanto, a edição de mais uma lei estadual ante a possibilidade da mais alta Corte de justiça do país proferir decisão a respeito.

Com relação à segurança alcançada no uso do produto, além dos maciços investimentos em novas tecnologias, um Acordo Nacional para uso controlado e responsável do amianto crisotila, firmado entre empresários e trabalhadores, tem mais de 30 anos e reflete o compromisso com a saúde e segurança de quem lida com o mineral.

A partir do momento em que o País passou a adotar medidas de segurança e baniu o uso do amianto anfibólio, inexiste qualquer referência de trabalhadores, admitidos após a década de 80, nas indústrias e na mineração, que tenham adoecido e apresentado alguma disfunção pulmonar relacionadas ao uso do amianto crisotila.

Além disso, é necessário esclarecer à população usuária de produtos de fibrocimento com amianto crisotila, que estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) em 2006 concluiu que as fibras de amianto crisotila permanecem amalgamadas à principal matéria-prima das telhas de caixas d'água – o cimento. Ou seja, não se soltam.

Não há outra forma de examinar o assunto sem levar em conta a campanha desencadeada em nível mundial contra o amianto crisotila. Trata-se, sem sombra de dúvida, de um poderoso lobby capitaneado pela indústria petroquímica estrangeira que espera, a partir de uma eventual proibição, tornar-se fornecedora exclusiva das fibras sintéticas de PP (Polipropileno).

Fibras de PP apresentaram alto nível de biopersistência e toxidade, causando danos de conseqüências ainda indefinidas à saúde. Trata-se, portanto, de informação relevante, à luz dos estudos realizados em 2005 pela Agência Internacional de Pesquisas sobre Câncer (IARC, ligada à Organização Mundial da Saúde) e divulgados na referida reunião científica, conhecida como Workshop de Lyon.

Além disso, inúmeros estudos da área econômica demonstraram que o Brasil se tornará dependente de um único fornecedor e, certamente, à mercê de políticas de preços que afetarão sobremaneira o consumidor.

Outra falácia é a de que a transição da fibra de amianto crisotila para a fibra sintética é simples e não vai causar impacto. Causa, sim. Primeiro, nas populações de baixa renda, que serão obrigadas a adquirir um produto caro e de baixa qualidade.

Segundo, levará a indústria a uma dependência sem precedentes de resinas plásticas derivadas de petróleo manipuladas por empresas estrangeiras, como demonstrou estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).Terceiro, de ordem socioeconômica, vai afetar uma rede que emprega mais de 170 mil pessoas, prejudicando unidades de produção há muito consolidadas.

E quando se diz que o amianto foi proibido em “mais de 50 países”, deixa-se de informar que a proibição se deu onde o amianto do tipo anfibólio foi usado sem qualquer controle, e em países cujo uso, em razão de suas características, já era baixo. Trata-se de situação oposta à vivida no Brasil. Não se menciona, tampouco, que, se 50 países não usam o amianto, outros 150 o fazem, inclusive as nações mais desenvolvidas do mundo, como os Estados Unidos, o Canadá e a Alemanha.

A situação norte-americana, aliás, merece um registro. Houve, lá, uma tentativa da agência ambiental, a EPA, de proibir o uso do amianto. A Justiça dos EUA, contudo, barrou a iniciativa, sob o fundamento de que os possíveis substitutos da fibra não foram estudados o suficiente para saber se são melhores ou piores, em termos de saúde, do que o amianto.

Por certo, enfim, tome-se o fato de o Brasil possuir a mais rigorosa legislação de que se tem notícia sobre uso, controle e transporte de amianto crisotila. Graças ao desenvolvimento nas técnicas de extração e aplicação do mineral, o país aboliu o risco de doença entre os trabalhadores do segmento e tornou-se referência mundial no uso seguro e responsável desse mineral, não por menos integrando o Pacto Global, da ONU, de comprometimento com o bem-estar do planeta.

Estas considerações precisam ser trazidas em respeito aos consumidores, à sociedade mineira em geral e à comunidade científica. O Estado de Minas Gerais, portanto, não está na contramão pelo fato de abrigar empresas do setor em seu parque industrial. Ao contrário, deve se orgulhar de dispor de empresas genuinamente de capital nacional, cujo elevado padrão de segurança é atestado pelos mais exigentes sistemas de fiscalização e controle.

Atenciosamente,

Marina Júlia de Aquino

Presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC)

Porque a qualidade de produtos de fibrocimento com amianto é imbatível



Eurico Zimbres/ Wkimedia Commons

A durabilidade e a resistência do amianto são conhecidas há milênios pelo homem. Foi justamente por suas características ímpares que a aplicação desta fibra mineral tornou-se cada vez mais ampla. No século 20, em função do uso sem controle e segurança do tipo de amianto anfibólio, casos de adoecimento se tornaram freqüentes, principalmente na Europa do pós-guerra, à medida que aquele continente era reconstruído.

Dessa forma, o amianto anfibólio foi banido em praticamente todo o mundo ao passo que o amianto de tipo crisotila — que pode ser aproveitado sem causar qualquer malefício à saúde quando explorado dentro de padrões de segurança — tornou-se uma matéria-prima fundamental, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil.

Por quê?

Em função de seu baixo custo e durabilidade ele é um produto acessível a todas faixas da sociedade. Telhas e caixas d’água de fibrocimento com amianto crisotila em sua fórmula são uma opção barata e segura, daí o fato de seu mercado ser um dos mais ativos do mundo, com um consumo anual superior a 160 milhões de metros quadrados em telhas. 

Cerca de 50% dos telhados brasileiros e 50% das caixas d´água residenciais são fabricados com fibrocimento de amianto crisotila.
Isto desperta a atenção de concorrentes transnacionais, principalmente os produtores de telhas onduladas de fibrocimento, sem amianto, que se beneficiam da corrente de desinformação acerca do assunto.

A tecnologia aplicada mundialmente para a produção de telhas onduladas de fibrocimento, sem amianto, utiliza fibras de polivinil álcool (PVA) e de polipropileno (PP), além de outras iniciativas. Além de mais caras, sua qualidade é muito inferior e seu risco à saúde indeterminado.

Interessa à indústria internacional tornar o Brasil dependente de fibras sintéticas e manter a população à margem da realidade dos avanços que fazem do nosso país um exemplo mundial em segurança no uso do amianto crisotila.
Objetivamente, os produtos de fibrocimento com amianto não oferecem risco nenhum à saúde humana, sendo esta afirmação respaldada por diversos estudos nacionais e internacionais. Da mesma forma, jamais foi registrado na literatura médica mundial caso de doença relacionado ao uso desses produtos.

Ainda a título de esclarecimento, no processo de produção do fibrocimento, mais de 90% de sua composição é de cimento, calcário e papel celulose, sendo o restante (menos de 10%, pois os percentuais não são absolutos) de amianto do tipo crisotila, cuja extração e comercialização no Brasil seguem normas de segurança extremamente rigorosas. Estudos recentes, como o do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, também concluíram que as fibras de amianto crisotila permanecem ligadas às duas outras matérias-primas das telhas de fibrocimento: o cimento e a celulose. Mesmo em condições mais severas de desgaste, elas não se desprendem e não representam risco à saúde dos usuários.

Três perguntas que todo mundo deveria fazer sobre o uso do amianto crisotila no Brasil


crédito da imagem: Wikimedia Commons
                                     


Por que substituir um mineral amplamente conhecido, com potenciais riscos à saúde controlados, pela tabula rasa das fibras sintéticas?
O amianto é um dos minerais mais estudados do planeta. Primeiro porque é uma fibra de origem mineral abundante em toda a crosta terrestre, presente nos leitos dos rios, lençóis freáticos e até no ar que respiramos.  Segundo porque, em virtude dos casos de adoecimento ocorridos principalmente nos anos de pós-guerra na Europa — dado o uso sem controle do amianto anfibólio — a mineração e a indústria do crisotila tiveram de se adequar às mais estritas normas de segurança. O resultado é que, no Brasil, a exploração do amianto crisotila tornou-se referência de rigor e controle na mineração e na indústria. A lei federal nº 9055/95, que baniu o uso do amianto anfibólio e regulamentou o uso do crisotila, é um modelo internacional de segurança no setor. Em conjunto com normas como a Convenção 162 da Organização Internacional do Trabalho e o Anexo 12 da NR 15 do Ministério do Trabalho — o Acordo Nacional firmado com os trabalhadores do setor — a exploração comercial do crisotila no Brasil é um exemplo a ser seguido em termos de alto padrão de segurança e relações trabalhistas. Daí o fato de não haver qualquer registro de um único caso de contaminação ou adoecimento decorrente do manuseio do amianto crisotila na mineração, indústria e comércio desde 1980.

O mesmo não se pode dizer das fibras sintéticas, apontadas como alternativa ao amianto crisotila. É fato pouco divulgado que, no âmbito da Agência Internacional  para Pesquisa  do Câncer (Iarc, na sigla em inglês), órgão da OMS responsável por pesquisas relacionadas a substâncias cancerígenas, existem estudos que reconhecem que as fibras sintéticas alternativas ao amianto não oferecem segurança, tendo sido classificadas sob o rótulo de “risco indeterminado à saúde humana”.

No que o amianto é diferente em relação a outros materiais usados na indústria a ponto de justificar sua substituição?
Em nada. A exploração do amianto crisotila, como é feita hoje, representa um marco em segurança e controle tanto na mineração quanto na indústria. Vale perguntar: o que seria dos avanços da medicina nuclear se os cientistas tivessem desistido de pesquisar as propriedades do urânio por ser este um mineral perigoso? Lamentaríamos as milhões de vidas que deixariam de ser salvas por uma simples radiografia, uma tomografia ou outros tratamentos radioterápicos. Cabe à ciência e à livre iniciativa demonstrar que é possível explorar dada substância de forma controlada e segura. A histeria em relação ao uso do amianto não tem qualquer suporte científico, sendo fruto de desinformação e má-fé.

O uso do amianto é autorizado no Brasil?
Apenas o uso do amianto crisotila é autorizado no país por uma lei federal. No atual momento, encontra-se em julgamento no Supremo Tribunal Federal algumas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que, em síntese, questionam a validade das leis estaduais de proibição por sobreporem-se a uma legislação federal que permite o uso do amianto no país. Em 2012, o próprio STF, por iniciativa do ministro Marco Aurélio, realizou audiência pública quando foi possível se separar verdades de mitos, ciência de especulação.

No dia 31 de outubro de 2012, ao julgar as ADIs 3.937 e 3.557 que questionam, respectivamente, leis proibitivas do estado de São Paulo e do Rio Grande do Sul, o ministro Marco Aurélio citou outras substâncias de alto risco presentes na indústria, que usadas dentro de padrões de alto controle não oferecem quaisquer riscos a trabalhadores e consumidores. Analisando estudos apresentados durante a Audiência Pública, o ministro concluiu: “As doses [de fibras de amianto crisotila] a que a população fica submetida são geralmente insuficientes ao desencadeamento das doenças tipicamente relacionadas ao produto”. Outro ministro, Carlos Ayres Brito, já aposentado, votou contra, resultando em empate. O julgamento foi suspenso desde então.

“Sem mácula e incorruptível”



Antes do amianto sofrer na era moderna uma crise de imagem sem precedentes na história da propaganda, a fibra mineral atravessou a Antiguidade com a reputação de “pedra mágica”  por suas propriedades e resistência singulares.

A palavra "amianto" vem do grego Amíantos,  “pedra incorruptível”, e do latim Amiantu, “puro, sem mácula”. O amianto é um mineral natural encontrado em 2/3 da crosta terrestre. 

No Brasil, existe em abundância e com alto grau de pureza.  Apenas o amianto crisotila tem o uso regulamentado por uma rigorosa lei federal que é referência em segurança.

O amianto anfibólio foi usado em larga escala na Europa, por décadas, sobretudo nos anos do pós-guerra e sem qualquer procedimento ou preocupação com a segurança. Por tratar-se de uma fibra com alta concentração de ferro e por ter estrutura rígida e pontiaguda, de difícil eliminação pelo sistema respiratório humano, seu uso sem controle acarretou em adoecimento e morte de trabalhadores na Europa ao longo de anos. Por isso, seu uso foi banido em praticamente todo o mundo.

Já o crisotila, cuja utilização no Brasil, é regulada por lei, possui silicato hidratado de magnésio em sua composição, o que resulta numa estrutura fibrosa flexível, fina e sedosa, facilitando a sua eliminação pelo organismo, caso seja inalado. Enquanto a fibra do amianto anfibólio pode permanecer mais de um ano nos pulmões, a de crisotila é expelida em no máximo 2,4 dias. Ou seja, para provocar um possível dano à saúde humana seriam necessários anos e anos de exposição do trabalhador a altas concentrações de poeira do crisotila, sem qualquer cuidado.

Não há um único dado que assegure a existência de caso de adoecimento registrado após os anos 80, no Brasil, quando o crisotila passou a ser utilizado dentro de padrões mais altos de segurança

Um pouco de história
Objetos cerâmicos reforçados com amianto foram encontrados na Finlândia, atestando que o  homem primitivo já conhecia o amianto e havia aprendido a misturá-lo à argila para obter panelas e outros utensílios mais duráveis e resistentes ao fogo.

Historiadores como Plínio e Plutarco mencionavam uma substância que não queimava e que era usada por gregos e romanos em mechas e pavios para lamparinas.


E, por fim, Carlos Magno (768-814), governante do Império Carolíngio, costumava surpreender seus convidados atirando ao fogo as toalhas usadas durante os banquetes que, depois, eram recolhidas intactas.

Uso sustentável e seguro do amianto

A presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila, Marina Júlia de Aquino, publicou artigo nesta quarta-feira (21/1) no Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, no qual corrige informações distorcidas a respeito do amianto crisotila. Leia o texto abaixo:

As empresas fabricantes de produtos de fibrocimento que trabalham com amianto crisotila e as que extraem o mineral são vítimas de um processo de difamação sistemática que ganhou força nos últimos anos por conta de uma guerra comercial que não respeita qualquer limite ético. A distorção dos fatos é a arma utilizada por concorrentes transnacionais que querem impor ao mercado brasileiro fibras sintéticas, cujos impactos ao meio ambiente e à saúde do trabalhador são desconhecidos.

Os exemplos desse jogo são vastos. Recentemente, artigo publicado neste espaço tentou, contra todas as evidências científicas até hoje colhidas, fazer a conexão entre a produção de fibras de resinas derivadas de petróleo – Polipropileno (PP) – e ações que trazem benefícios sociais e ambientais. Seria cômico, não fosse trágico. Reunida em um Workshop em Lion, em 2005, a OMS concluiu que o risco à saúde humana decorrente do uso de fibras sintéticas é indeterminado.

A qualidade do produto sem fibras de amianto é reconhecidamente inferior e seu custo ao consumidor bem mais elevado. Há registros de telhas de fibrocimento com crisotila que duram 70 anos. O mesmo produto, sem amianto, frequentemente necessita de impermeabilização e é alvo constante de recall.

Aos fatos. O amianto crisotila usado pela indústria de fibrocimento no Brasil é um produto totalmente natural, um mineral abundante presente em 2/3 da crosta terrestre. O Brasil tem uma rigorosa lei federal (Lei nº 9.055/95) que define como e de que forma o amianto crisotila deve ser extraído, transportado e industrializado. Os trabalhadores têm plena segurança de que não estão expostos a qualquer risco.

Acordo com 113 cláusulas fechado entre empresários e trabalhadores fixa limite de exposição 20 vezes menor do que o permitido pela legislação brasileira e dá autonomia de organização e fiscalização do local de trabalho pelos próprios trabalhadores. Não existe outra atividade que dê tamanho poder aos trabalhadores. Quanto à Convenção 162 da OIT, sua simples leitura demonstra que não impôs o banimento do amianto, já que traça diretrizes a respeito de seu uso controlado.

As leis estaduais que proíbem a utilização do mineral são alvo de ações no Supremo Tribunal Federal (STF), onde dois votos já foram proferidos. Em seu voto, o ministro Marco Aurélio anotou que “se o amianto deve ser proibido em virtude dos riscos que gera à coletividade ante o uso indevido, talvez tenhamos de vedar, com maior razão, as facas afiadas, as armas de fogo, os veículos automotores, tudo que, fora do uso normal, é capaz de trazer danos às pessoas”.

Sob o ponto de vista do mercado, mais da metade dos lares brasileiros tem telhados de fibrocimento com amianto crisotila. Produtos com amianto em sua composição estão presentes há mais de 70 anos no mercado não por acaso. O mineral faz com que o produto final seja mais barato e mais resistente, o que o torna acessível à população de baixa renda.

Outro ponto importante é que não existe capacidade para atender eventual demanda brasileira de fibras sintéticas. Um diretor geral de empresa concorrente, que trabalha com fibras sintéticas, já declarou publicamente – há registros na imprensa – que para disputar o mercado de fibrocimento é preciso banir o amianto. Mas o que precisa ser banida é a desinformação.


De guardião a vilão: a história do amianto no imaginário popular

Em um longo artigo publicado na edição de julho de 1997 da revista Scientific American, os professores James E. Alleman e Brooke T. Mossman sintetizaram da seguinte forma a contradição que cerca a figura do amianto: “De fato, um pungente paradoxo que envolve a história do amianto é sua imagem original como guardião da segurança dos seres humanos”.

Os pesquisadores, dois dos maiores especialistas do mundo no assunto, qualificaram ainda o drama da crise de imagem do amianto como “ironia crucial”, ao reconhecerem que, não fosse um material de qualidades tão impressionantes, dificilmente a fibra passaria por um calvário de tamanha proporção junto à opinião pública e o imaginário popular.

Não é para menos. O amianto, durante muito tempo, esteve presente em cremes dentais, toalhas de mesa, cortinas e trajes isolantes. Era usado também como filtro em sistemas de ventilação em hospitais e em máscaras militares de gás. Freios, sapatos, revestimentos de embreagem e equipamentos de segurança em carros de corrida e ônibus escolares foram outros itens, entre tantos outros, que tiveram amianto em sua composição, reforçando seu caráter como elemento de proteção ao trabalho do homem, na indústria e no dia a dia.

O professor Alleman, cuja área de expertise também abrange a história do uso dessa fibra de origem mineral pela espécie humana, lembra que as primeiras referências ao amianto podem ser rastreadas até alguns filósofos da Antiguidade. O primeiro entre eles é Teofastro, discípulo de Aristóteles. A ele os estudiosos reputam a provável primeira citação ao amianto, no trabalho “Sobre as pedras”, escrito há cerca de 300 a.C.. O pensador fez referência a uma substância desconhecida que lembrava a consistência da madeira podre, podendo ser embebida em óleo e queimada sem sofrer qualquer dano aparente.

Ainda na Antiguidade, as referências ao mineral e sua fibra incluem o geógrafo grego Strabo, também conhecido como Estrabão, de quem o nome originou o termo estrabismo, porque esta era a palavra utilizada pelos romanos para se referirem àqueles com deformações nos olhos. Strabo identificou a primeira pedreira de amianto, localizada na ilha de Euboea, na Grécia, de onde as fibras retiradas entre os sulcos das rochas eram trabalhadas para serem transformadas em tecidos resistentes ao fogo.

A primeira aparição do vocábulo “amianto” ocorreria ainda no século primeiro, na obra De Materia Medica, do autor greco-romano Dioscórides, fundador de um dos mais antigos ramos da farmacologia.  Dioscórides usou o termo amiantos, significando, justa e ironicamente, “sem mácula”. Os especialistas discorrem, porém, que a acepção moderna da palavra pode ser rastreada até a obra História Natural, do naturalista romano Caio Plínio II, conhecido como Plínio, o Velho, que se referia a asbestinon, com o sentido deinextinguível. Caio Plínio registrou que o amianto era usado por seus contemporâneos para a manufatura de uma série de produtos têxteis, de toalhas laváveis e guardanapos a também mortalhas usadas em funerais de monarcas e nobres. Neste caso, os corpos eram desintegrados pelo calor enquanto as mortalhas permaneciam íntegras sem sofrer danos.

Cabelo de salamandra
A trajetória da imagem do amianto no mundo das ideias migrou, durante um período superior a 2000 anos, da figura de mineral mágico para a de substância venenosa e, deste modo, para um agente de contaminação e doença. O status extremamente negativo que a fibra ganhou na modernidade é, de certo modo, o contraponto à sua mística como pedra de propriedades espetaculares e agente de proteção do homem. “Em algum ponto da linha, o fato de que o amianto foi um dia uma pedra acabou esquecido”, destacaram ainda Alleman e Mossman em seu artigo.

A fantasia sobre a origem do amianto e suas qualidades incríveis se popularizam entre os alquimistas medievais. A lenda era que as fibras de amianto cresciam como cabelos em salamandras, tornando assim o réptil mítico resistente ao fogo. Alguns alquimistas chamavam até mesmo a pedra em que a fibra é comum de “salamandra”.  A iconografia de obras alquímicas é rica em gravuras de uma salamandra indestrutível, cercada por chamas. Durante parte da Idade Média, a origem do amianto era, assim, não atribuída à rocha, mas também a plumas encontradas em lagartos e a penas de aves.

O amianto voltaria ao campo da razão por volta do século 16. O navegador Marco Polo, ao visitar uma mina de extração de amianto na China, em funcionamento desde o final do século 13, foi um dos primeiros a reafirmar que sua origem era, sim, mineral, em contraponto à mitologia. Ainda no século 16, o fundador da mineralogia, George Agricola, ajudou a consolidar o conhecimento científico sobre o amianto em sua obra Manual de Mineralogia.

No decorrer dos séculos 17 e 18, diversos estudos científicos surgiram sobre o amianto ao passo que a abrangência de sua aplicação comercial também aumentava. Benjamin Franklin, um dos fundadores dos EUA, ainda como jovem inventor, carregava uma bolsa costurada com fibras amianto, com o fim de evitar que algumas das substâncias ou objetos que trazia com ele viessem a abrir um buraco na bolsa.

Na década de 1820, o cientista italiano Giovanni Aldini foi o primeiro a explorar o produto com amplo sucesso comercial. Aldini criou uma linha de trajes feitos com fibra de amianto para serem usados por bombeiros. Na mesma época, surgiram também as cortinas projetadas para a área do proscênio em teatros, o espaço que separa o palco da plateia. Cortinas feitas com amianto foram responsáveis por reduzir os acidentes em ambientes fechados e lotados durante apresentações teatrais, impedindo que o fogo se alastrasse e salvando vidas.

Antes que o amianto chegasse, de vez, ao ramo da construção civil, foram os navios a vapor que potencializaram, como nunca antes, seu usoem larga escala na indústria. Misturada com borracha, a fibra se mostrou perfeita para a utilização em componentes e na estrutura interna das embarcações. Em meados da década de 1860, uma época em que os incêndios em edifícios de apartamento eram tragicamente frequentes nos grandes centros urbanos dos EUA, o construtor Henry Ward Johns, de Nova York, desenvolveu o primeiro material anti-inflamável para revestimento de telhados. Este foi o ponto de partida para que o amianto se tornasse um produto fundamental na indústria da construção civil.

Reserva estratégica
No fim dos anos 1930, a imagem pública do amianto vivia o auge de sua glória. Em 1939, por exemplo, durante a Feira Mundial de Nova York, o amianto foi saudado pelos exibidores e público como “um mineral a serviço da humanidade”. Um gigante feito todo de amianto, o “asbestos-man”, dava boas-vindas aos visitantes, ao passo que os frequentadores eram didaticamente informados sobre as propriedades incríveis da fibra. Às vésperas da II Guerra Mundial, a demanda por amianto já ameaçava ultrapassar a produção global, levando países a se preocupar em formar reservas do mineral.

Em 1947, a popularidade do mineral chegava até mesmo aos quadrinhos, o super-herói Tocha Humana passou a enfrentar uma nova vilã, a Madame Amianto (Lady Asbestos, no original). Vestindo um traje de amianto, a vilã era, de tal forma, imune às chamas do herói, um androide que tinha a capacidade de incendiar-se. Apesar de constituir um elemento do vilão, a imagem do amianto nos quadrinhos estava ali pelo valor de “resistência contra o fogo” e não ainda pelo seu caráter negativo. Embora já houvesse a preocupação com casos de adoecimento decorrentes do uso em massa e sem controle do amianto anfibólio, a imagem do mineral ainda não havia sido totalmente afetada.

Já nas primeiras décadas do século começaram a surgir conclusões que apontavam como causa das doenças o uso sem qualquer precaução do amianto de tipo anfibólio. Nos anos 1930, o Reino Unido já possuía legislação voltada para o uso do amianto em fábricas têxteis, mas inexistiam padrões de segurança realmente efetivos para o uso industrial do amianto anfibólio.

A preocupação com a saúde em larga escala começou a tomar corpo na década de 1960, quando governos de diversos países industrializados começaram a formular leis de controle para o uso do amianto anfibólio. Nesta época, o anfibólio já era apontado como causa dos sucessivos casos de adoecimento e morte. Entretanto, o crescente número de vítimas e a pressão de entidades e sindicatos levaram os países a adotar legislações de controle também para todas as classes de amianto.

A despeito do banimento em alguns países, o mineral ainda ocupa um papel central nas atividades econômicas das sociedades. Nos Estados Unidos, o uso do amianto é central para a indústria aeroespacial, sendo amplamente usado no revestimento de foguetes. No âmbito doméstico, pelo menos 75 % do cloro incluído na fórmula de marcas de água sanitária e desinfetantes é produzido, naquele país, a partir de processos químicos que dependem do uso do amianto.

Os professores Alleman e Mossman sintetizam deste modo a questão da mudança da percepção pública em relação ao mineral ao passo que sua importância estratégica permanece: “Gerações passadas podem ter considerado o amianto como um recurso inestimável, mas a atual preocupação com os riscos que acarreta para a saúde humana obscurecem essa memória. Sugerir que o amianto possa ter qualidades redentoras soa como irresponsável. Qualificar o mineral como um commodity vital do ponto de vista da estratégia global soa ridículo. E ainda assim este é exatamente o caso. O tipo de amianto conhecido como crisotila (de fibra mais flexível e menos perigoso que os anfibólios), por exemplo, permanece como um mineral essencial para uma série de tecnologias cruciais, com o governo dos Estados Unidos abrigando estoques do mineral até hoje”, escreveram.

Deste modo, escapa à opinião pública o fato de que os esforços para o banimento do amianto não trarão qualquer benefício prático em termos de segurança e saúde para a população, já que os casos de adoecimento e morte foram praticamente erradicados depois que o uso controlado do crisotila passou a ser regulado em todo o mundo. Nas palavras dos autores do artigo publicado há duas décadas, trata-se do círculo completo da “ironia original” envolvendo o amianto.  Desta vez, apontam, algo que parecia tão maligno, no fim, não é, de fato, assim essencialmente maligno.

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Referência: Asbestos revisited, por James E. Alleman e Brooke T. Mossman, revista Scientific American, julho de 1997.

Norma melhora instalação de telhas de fibrocimento

Leia os principais pontos da entrevista concedida pelo engenheiro Rosário Carvalho Jaques, coordenador de atendimento aos clientes da Multilit, publicada originalmente pelo site Massa Cinzenta.

Desde 11 de dezembro de 2014 está em vigor a versão revisada da ABNT NBR 7196 – Folha de Telha Ondulada de Fibrocimento – Procedimento. Ela estabelece requisitos para projetos e execuções de coberturas e fechamentos laterais com telhas de quatro, cinco, seis e oito milímetros de espessura e perfis estruturais. A normativa teve seu processo de revisão a cargo do Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados.

O engenheiro Rosário Carvalho Jaques, coordenador de atendimento aos clientes da Multilit, fez parte da comissão que revisou a norma. Destacam-se na nova ABNT NBR 7196 as figuras para facilitar a instalação de parafusos, ganchos e pinos que fixam as telhas de fibrocimento. O novo texto também aborda aspectos de segurança e de manutenção dos equipamentos.

Confira entrevista que explica o que mudou na norma técnica:

Desde 11 de dezembro de 2014, a versão revisada da ABNT NBR 7196 – Folha de Telha Ondulada de Fibrocimento – Procedimento – está em vigor. O que mudou na norma e qual o impacto dela no mercado?
Na realidade, não houve mudança estrutural da norma. Ocorreu mais um acréscimo de informação de figuras, para que a norma fosse mais bem interpretada. Com relação às informações técnicas, agregou pouca coisa. A base dela continua a mesma.

A norma revisada se dedica bastante à instalação. Por quê?
Ela se dedica à instalação para que os projetos possam seguir as diretrizes que a norma determina.

Quanto ao armazenamento das telhas em fibrocimento, a norma revisada destaca o que neste assunto?
A revisão deixou a critério das empresas esse procedimento, mas ele deverá constar em catálogo. A orientação é que o armazenamento das telhas de cimento no sentido horizontal não ultrapasse a quantidade de 100 a 150 telhas. A Multilit, em particular, orienta que o armazenamento horizontal das telhas de cinco e seis milímetros seja no máximo de 100 unidades. Na vertical, com 15 graus de inclinação, no máximo 300 unidades. Para telhas com quatro milímetros de espessura podem ser empilhadas no máximo 200 unidades.

A norma revisada aborda o processo construtivo das telhas de fibrocimento?
Ela aborda como instalar a telha e como manter um melhor aproveitamento do projeto, a fim de obter uma eficiente estanqueidade do telhado. Seguindo a norma, é possível conseguir um ótimo custo-benefício na cobertura do telhado.

Hoje há quanto fabricantes de telhas de fibrocimento no país?
São 16 fabricantes, segundo o Instituto Brasileiro do Crisotila. Aí, se inclui a Multilit. No entanto, há no mercado nove marcas de telhas.

Há algum item mais polêmico na revisão da norma?
Um dos itens bastante discutidos foi com relação ao apoio das telhas. Sempre houve necessidade de ter os três apoios nas telhas com medidas a partir de 2,13 metros. Na revisão da norma, houve quem defendesse três apoios a partir de telhas com 1,83 metros de comprimento. Mas prevaleceu o que já existia, ou seja, manter os três apoios a partir das telhas com 2,13 metros.

Por quanto tempo a norma ficou em processo de revisão?
A revisão se estendeu por volta de 16 meses, sem contar o período de consulta pública, que durou mais quatro meses. O importante é que foram agregadas informações, tornando-a mais acessível a quem for utilizá-la. Antes, ela estava com uma linguagem muito técnica.

As telhas de fibrocimento ainda são bem consumidas no mercado da construção civil?
O consumo é bem significativo. Ela é uma telha mais barata e oferece economia na estrutura do telhado. Ao utilizar telhas de fibrocimento, a estrutura não tem necessidade de ser muito robusta, além de não absorver calor. Bem diferente do que ocorre quando são usadas telhas cerâmicas ou telhas de concreto.

A questão do amianto ainda afeta o mercado de telhas de fibrocimento?
Algumas instituições comentam a respeito do amianto e isso faz com que o consumidor fique confuso, vamos dizer assim. Na realidade, existe falta de informação. Com base em pesquisas, entendemos que o amianto, da forma como ele é utilizado na telha, não causa nenhum dano. O produto é amalgamado na telha e não tem como se soltar. O consumidor não possui esta informação.

Para fabricar uma telha de fibrocimento quanto vai de cimento?

Em média, o cimento compõe 90% de uma telha de fibrocimento. O restante são as outras misturas, os aditivos, as fibras e o filler, que é um material que a gente normalmente reutiliza.

Uso sustentável e seguro do amianto crisotila é realidade

O artigo abaixo, da presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila, Marina Júlia de Aquino, foi publicado nesta quinta-feira (8/1) no jornal Brasil Econômico.

As empresas fabricantes de produtos de fibrocimento que trabalham com amianto crisotila e as que extraem o mineral são vítimas de um processo de difamação sistemática que ganhou força nos últimos anos por conta de uma guerra comercial que não respeita qualquer limite ético. A distorção dos fatos é a arma utilizada por concorrentes transnacionais que querem impor ao mercado brasileiro fibras sintéticas, cujos impactos ao meio ambiente e à saúde do trabalhador são desconhecidos.

Os exemplos desse jogo são vastos. Recentemente, artigo publicado no jornal Brasil Econômico tentou, contra todas as evidências científicas até hoje colhidas, fazer a conexão entre a produção de fibras de resinas derivadas de petróleo – Polipropileno (PP) – e ações que trazem benefícios sociais e ambientais. Seria cômico, não fosse trágico. Reunida em um Workshop em Lion, em 2005, a OMS concluiu que o risco à saúde humana decorrente do uso de fibras sintéticas é indeterminado.

A qualidade do produto sem fibras de amianto é reconhecidamente inferior e seu custo ao consumidor bem mais elevado. Há registros de telhas de fibrocimento com crisotila que duram 70 anos. O mesmo produto, sem amianto, frequentemente necessita de impermeabilização e é alvo constante de recall.

Aos fatos. O amianto crisotila usado pela indústria de fibrocimento no Brasil é um produto totalmente natural, um mineral abundante presente em 2/3 da crosta terrestre. O Brasil tem uma rigorosa lei federal (Lei nº 9.055/95) que define como e de que forma o amianto crisotila deve ser extraído, transportado e industrializado. Os trabalhadores têm plena segurança de que não estão expostos a qualquer risco.

Acordo com 113 cláusulas fechado entre empresários e trabalhadores fixa limite de exposição 20 vezes menor do que o permitido pela legislação brasileira e dá autonomia de organização e fiscalização do local de trabalho pelos próprios trabalhadores. Não existe outra atividade que dê tamanho poder aos trabalhadores. Quanto à Convenção 162 da OIT, sua simples leitura demonstra que não impôs o banimento do amianto, já que traça diretrizes a respeito de seu uso controlado.

As leis estaduais que proíbem a utilização do mineral são alvo de ações no Supremo Tribunal Federal (STF), onde dois votos já foram proferidos. Em seu voto, o ministro Marco Aurélio anotou que “se o amianto deve ser proibido em virtude dos riscos que gera à coletividade ante o uso indevido, talvez tenhamos de vedar, com maior razão, as facas afiadas, as armas de fogo, os veículos automotores, tudo que, fora do uso normal, é capaz de trazer danos às pessoas”.

Sob o ponto de vista do mercado, mais da metade dos lares brasileiros tem telhados de fibrocimento com amianto crisotila. Produtos com amianto em sua composição estão presentes há mais de 70 anos no mercado não por acaso. O mineral faz com que o produto final seja mais barato e mais resistente, o que o torna acessível à população de baixa renda.


Outro ponto importante é que não existe capacidade para atender eventual demanda brasileira de fibras sintéticas. Um diretor geral de empresa concorrente, que trabalha com fibras sintéticas, já declarou publicamente – há registros na imprensa – que para disputar o mercado de fibrocimento é preciso banir o amianto. Mas o que precisa ser banida é a desinformação.

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